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Folias de Reis mantêm viva uma das maiores tradições culturais de Andradina

A primeira edição de 2026 do Jornal da Metrópole,  abriu espaço para valorizar uma das manifestações culturais mais antigas e simbólicas de Andradina: a Folias de Reis. O programa recebeu o representante da companhia Unidos de Belém, Samora Machel que falou sobre a história, a religiosidade, os desafios e a importância da tradição que atravessa gerações no município.

Presente há mais de 70 anos em Andradina, a Folia de Reis é considerada uma das maiores expressões culturais da cidade. Trazida por migrantes — principalmente de origem baiana —, a manifestação tem raízes europeias, vindas da Península Ibérica, e foi introduzida no Brasil pelos portugueses durante o período colonial como forma de catequização. Com o tempo, ganhou identidade própria, marcada pelo sincretismo religioso e pela forte oralidade.

A Folia de Reis relembra a viagem dos Três Reis Magos até o Menino Jesus e se expressa por meio da música, do canto e da visita às casas, levando bênçãos, orações e mensagens de fé. Em Andradina, existem atualmente entre quatro e seis companhias ativas, o que torna o município um verdadeiro berço dessa tradição na região — algo raro, especialmente se comparado a cidades maiores e capitais, onde a manifestação quase não existe.

Durante a entrevista, foi explicado que existem duas vertentes principais da Folia de Reis: a mineira, com cantos mais lentos, coralizados e instrumentos como sanfona e viola caipira; e a baiana, predominante em Andradina, marcada por ritmo mais intenso, com uso de atabaques, bumbos, flautas e forte presença cênica. Todo esse conhecimento é transmitido de forma oral, passando de pais para filhos, netos e bisnetos.

Um dos personagens mais emblemáticos da Folia é o palhaço, que ao longo dos anos foi alvo de preconceito e interpretações equivocadas. Segundo relatos históricos, ele pode representar tanto soldados romanos que perseguiam o Menino Jesus quanto guardiões da bandeira, símbolo dos Reis Magos. Apesar do estranhamento inicial, especialmente entre crianças, hoje a figura do palhaço desperta curiosidade, alegria e encantamento, sendo parte essencial da apresentação.

A entrevista também destacou que a Folia de Reis vai além do aspecto religioso: trata-se de uma manifestação folclórica, cultural e comunitária. As companhias se preparam o ano inteiro, ensaiam, criam versos novos e preservam cantos tradicionais. Não há escolas formais: aprende-se observando, ouvindo e participando. A união entre os grupos é forte, com troca de experiências, apoio mútuo em apresentações e missões em zonas rurais e cidades vizinhas.

Outro ponto importante é a acolhida das famílias. Ao receber a bandeira em casa, os moradores oferecem prendas — alimentos, donativos e refeições — que ajudam a manter a tradição e a organizar as festas de Santos Reis. A celebração ocorre tradicionalmente entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, encerrando-se no Dia de Santos Reis.

Para 2026, já está confirmado o Encontro das Folias de Reis de Andradina, marcado para o dia 8 de janeiro, a partir das 19h, na praça central, reunindo companhias locais e convidadas de outras cidades da região. O evento reforça a visibilidade da tradição e promove a integração cultural.

Com a chegada das redes sociais, as companhias também passaram a registrar e divulgar suas atividades, garantindo memória, documentação e maior alcance junto às novas gerações. Fotos, vídeos e relatos ajudam a preservar aquilo que, no passado, ficava apenas na lembrança de quem viveu.

Ao final da entrevista, ficou o convite à população: acolher, respeitar e valorizar a Folia de Reis. Explicar às crianças, abrir as portas das casas, participar das festas e reconhecer que essa tradição faz parte da identidade histórica de Andradina.

Mais do que música e visitação, a Folia de Reis é fé, cultura, memória e pertencimento. Uma herança viva que segue ecoando pelas ruas, sítios e lares da cidade, lembrando que um povo sem cultura perde suas raízes — e Andradina, com orgulho, mantém as suas bem firmes.

Ouça a entrevista na integra:

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