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Fé, tradição e memória: Folia de Reis mantém viva uma história centenária na Baixada Preta, em Andradina

A fé que atravessa gerações, a tradição que resiste ao tempo e a emoção de uma missão cumprida marcaram o encerramento das Festas de Santo Reis, realizado neste sábado(10), na comunidade da Baixada Preta, em Andradina. O encontro aconteceu na tradicional tenda da família de Seu Euphosino, um dos pioneiros da Folia de Reis no município, reunindo famílias, devotos e integrantes das companhias que mantêm viva uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas da região.

A Folia de Reis em Andradina carrega uma trajetória que ultrapassa 60 anos de atuação local, inserida em uma tradição com mais de 500 anos no mundo. Na cidade, ela ganhou identidade própria a partir do trabalho de homens e mulheres simples, movidos pela fé nos Três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltazar, que percorreram e ainda percorrem casas levando a bandeira, os cantos, as orações e a mensagem do nascimento de Jesus.

Filho de Seu Euphosino, Manuel Messias falou com emoção sobre a continuidade desse legado. “É uma felicidade muito grande ver essa tradição viva. Começou com meu pai e com tantos outros pioneiros. Hoje, ela continua com filhos, netos e bisnetos. A gente foi criado no meio disso, ouvindo as flautas, os versos e vivendo a fé. É uma festa bonita, que acontece no Brasil todo, e Andradina está de parabéns por preservar isso”, afirmou.

Messias também destacou a importância da união entre as companhias de reis da cidade e da região, citando outros grupos que seguem firmes na missão de manter viva a tradição. Para ele, somente com união e respeito é possível garantir que a Folia continue encantando as futuras gerações.

Outro destaque da celebração foi a presença da Companhia de Reis Unidos de Belém, representada por Cássia Tavares, integrante de uma das famílias mais antigas ligadas à tradição. A companhia teve início com Seu Euphosino de Almeida, personagem fundamental da história local, cuja devoção deu origem a um legado que hoje soma mais de 80 anos de tradição.

A reportagem acompanhou de perto os preparativos na cozinha da casa da família, espaço simbólico onde passado e presente se encontram. Ali, a comida preparada com antecedência e dedicação reflete um dos pilares da festa: a partilha. “Tudo é feito com muito amor e carinho. São vários dias de trabalho para oferecer uma comida fresca e gostosa para toda a população. É uma festa religiosa, mas também comunitária”, destacou Graça.

O sentimento predominante entre os integrantes é o de missão cumprida. Após semanas de giro, levando a bandeira de casa em casa, recebendo cada devoto com respeito e fé, o encerramento representa o dever realizado. “Agora é hora de descansar um pouco, mas a mente não para. A gente já pensa no próximo ciclo, no próximo dezembro. Hoje a missão se cumpre, e logo estaremos aqui de novo”, disse a representante da companhia.

A festa reuniu principalmente familiares dos fundadores — filhos, netos, bisnetos e até tataranetos — que carregam com orgulho o título de guardiões dessa herança cultural. Muitos deles descendem de personagens históricos que ajudaram a formar a comunidade, alguns com passagens marcantes pela história do Brasil, incluindo períodos como a Segunda Guerra Mundial.

A Baixada Preta, nome preservado com carinho até hoje, segue sendo símbolo dessa identidade coletiva. “Se não fosse a Baixada Preta, talvez não existisse essa grande festa, essa emoção e essa união que a população de Andradina conhece. Eu cresci ouvindo esse nome, e ele continua vivo na nossa história”, relembrou um dos integrantes.

Ao final do encerramento, a palavra que resume o sentimento é gratidão. Gratidão a cada devoto, a cada família que abriu as portas, a cada pessoa que colaborou, participou e celebrou mais um ano dessa caminhada de fé. “Mais um ciclo encerrado, mais um ano vencido. Nosso muito obrigado a todos”, concluíram.

A união das duas celebrações reafirma que, em Andradina, a Folia de Reis não é apenas uma festa religiosa, mas um verdadeiro patrimônio cultural, mantido pela força da família, da comunidade e da fé que atravessa o tempo e continua emocionando gerações.

Durante a festa de encerramento de Santo Reis, realizada na comunidade da Baixada Preta, em Andradina, também aconteceu a escolha dos Festeiros de 2026. Na ocasião, foram escolhidos Oraniã e Samya, que assumem a missão de dar continuidade a essa tradicional celebração de fé, devoção e cultura popular no próximo ano.

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